A santa Missa dá a Deus uma honra infinita
SL 150,2
«Louvai-o nas virtudes dêle: Louvai-o segundo a multidão da sua grandeza.»
SUMÁRIO
Nenhuma criatura, nem mesmo todos os anjos e santos congregados, pode render a Deus a honra que Lhe é devida com uma única santa Missa, pois nela se oferece uma Vítima de preço infinito. Assistamos com profundo recolhimento a este augusto mistério, reparando as ofensas do mundo e unindo o nosso coração ao sacrifício do Calvário.
Ponto I
Jamais um sacerdote celebrará o santo Sacrifício com o fervor necessário, nem um fiel a ele assistirá com o devido acatamento, se não formarem no espírito o alto apreço que merece tamanho mistério. «É certo», declara o sagrado Concílio de Trento, «que os fiéis não podem realizar obra mais santa e divina do que este tremendo mistério» (Sess. 22). Na verdade, nem a própria onipotência de Deus poderia fazer que existisse sobre a terra ação mais excelsa do que a celebração da Eucaristia. A santa Missa não é uma simples lembrança figurativa do Calvário, mas a renovação incruenta e a aplicação perene do mesmo sacrifício da Cruz: em ambos o ofertante soberano é o mesmo Jesus Cristo por mãos do sacerdote consagrado, e a mesma Hóstia pura é oferecida ao Eterno Pai. Por conseguinte, todas as oblações da Antiga Lei não foram mais do que pálidas sombras do nosso altar. Todas as homenagens que prestaram e hão de prestar por toda a eternidade os coros angélicos com seus louvores celestes, os mártires com seus suplícios e todos os justos com suas penitências — e mesmo a Mãe Santíssima com a prática heróica de todas as virtudes —, jamais poderiam igualar a glória que o Senhor recebe em uma só Missa. A razão é manifesta: as homenagens das criaturas, por santas que sejam, permanecem sempre finitas; porém a honra tributada na Missa, consistindo na oblação do próprio Filho de Deus, é uma honra de valor estritamente infinito. Por este sacrifício supremo cumprimos o sublime preceito: «Louvai-o segundo a multidão da sua grandeza» (Sl 150, 2).
Ponto II
Se fostes chamado ao sacerdócio ministerial, lembrai-vos da severa advertência das Escrituras contra os que desempenham com tibieza o ministério sagrado: «Maldito o que faz a obra do Senhor negligentemente» (Jr 48, 10); e celebrai tão augusto mistério com a máxima pureza interior e modéstia exterior. Se viveis no século, esforçai-vos por assistir devotamente à santa Missa todos os dias, ainda que isso vos custe esforço ou renúncia, mormente nos dias de pecado e desregramento do mundo, a fim de desagravar o Coração de Jesus pelas ofensas que recebe da ingratidão humana. Contam as crônicas que Santa Margarida de Cortona desejava possuir tantos corações inflamados e tantas línguas puras quantas as estrelas do firmamento e as areias do mar para glorificar a Deus; mas o Salvador consolou o seu fervor revelando-lhe: «Tem bom ânimo: ouvindo com reverência uma só celebração eucarística, render-me-ás todo o louvor que o teu amor deseja e incomparavelmente mais». Consideremos, portanto, o tesouro imenso colocado ao nosso alcance: no altar, Jesus Cristo oferece o seu Sangue para aplacar a justiça divina, alcançar-nos o perdão dos pecados e cumular as nossas almas e a Igreja de celestiais bênçãos.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó Eterno Pai, Criador e Senhor do universo, reconheço a minha extrema miséria e que nada tenho de meu com que possa honrar a vossa infinita majestade. Mas ofereço-Vos com profundo afeto o sacrifício perfeito que o vosso diletíssimo Filho consumou no alto da Cruz e que renova continuamente sobre os nossos altares. Eu Vo-lo apresento em união com todas as Missas celebradas no mundo inteiro, para Vos prestar a adoração e os louvores infinitos que Vos são devidos, para Vos agradecer todos os vossos inumeráveis benefícios e para Vos dar digna satisfação por todos os meus pecados e pelas culpas dos homens. Pelo Sangue desse Cordeiro imaculado, aplacai a vossa justiça e concedei a paz à vossa santa Igreja, o alívio às benditas almas do purgatório e a mim a graça da perseverança final. Ó Maria, Virgem fiel, que ao pé da Cruz oferecestes o vosso Filho e fostes a primeira a acolher os frutos de sua Redenção, alcançai-me a graça de assistir sempre à santa Missa com fé viva, piedade ardente e santo temor. Amém.

