Comemoração da agonia e oração de Jesus no Horto
LC 22,43
«E posto em agonia, orava Jesus com maior instância.»
SUMÁRIO
No horto de Getsêmani, o divino Redentor dá início voluntário à sua amantíssima Paixão, permitindo que a tristeza, o pavor e o tédio o assaltem até à agonia e ao suor de sangue perante a multidão dos pecados da humanidade. Consideram-se o combate interior de Jesus, a sua perfeitíssima conformidade com a vontade do Pai e o modelo de perseverança na oração durante as desolações e tentações da vida.
Ponto IA tristeza mortal e o suor de sangue perante os pecados do mundo
Concluído o agradecimento da Ceia pascal, sai Jesus do cenáculo com os apóstolos e penetra no horto de Getsêmani para orar. Contudo, ao recolher-se em oração, assaltam-no de improviso um pavor imenso, um profundo tédio e mortal amargura: «Começou a atemorizar-se e a angustiar-se», atesta São Marcos (Mc 14,33); e o evangelista São Mateus acrescenta que a sua bendita alma achava-se triste até a morte (Mt 26,38). Apresentou-se de súbito diante dos olhos divinos toda a lúgubre tragédia dos tormentos vindouros: as bofetadas, as zombarias, a flagelação atroz, a coroa de espinhos agudos, os cravos e a infâmia do madeiro.
Mas o que de modo mais pungente esmagou o peito do Salvador não foi a mera previsão das sevícias corporais, mas a consideração de todos os pecados humanos. Havia o Verbo descido à terra para desterrar o mal; e ao constatar que, a despeito de tanto sangue derramado, incontáveis iniquidades, sacrilégios e blasfêmias haveriam de se cometer no mundo, experimentou tal horror que entrou em amargosa agonia, brotando-lhe dos poros um suor de sangue vivo que empapou a terra (Lc 22,44). Foram as nossas culpas a impiedosa prensa que fez jorrar o sangue sacrossanto de suas veias.
Ponto IIA conformidade com a vontade do Pai e a perseverança na oração
Em meio a tão angustiante aflição, que faz o Senhor? Prostra-se com a face em terra e suplica ao Pai celeste: «Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; contudo, não se faça como eu quero, mas como tu queres» (Mt 26,39). Reza dessa maneira não para escapar à redenção, à qual livremente se oferecera, mas para manifestar a profundeza da dor que suporta por nosso amor e para ensinar-nos o verdadeiro proceder nas aflições. Nas angústias e securas espirituais, é lícito pedir alívio a Deus, contanto que submetamos inteiramente a nossa vontade ao seu divino beneplácito, perseverando com redobrada constância na oração, a exemplo de Cristo que, posto em agonia, orava com maior insistência.
Desejando nós vencer as tentações do inimigo e progredir na virtude, unamos as nossas penas quotidianas ao holocausto de Jesus no Getsêmani, repetindo sem cessar com coração resignado: «Faça-se a vossa vontade».
AFETOS E ORAÇÕES
Ó meu doce Redentor, prostrado com a face em terra no Getsêmani, sentistes horror e vergonha ao carregar sobre vós a sórdida vestidura dos meus próprios pecados! Se eu tivesse prevaricado menos, menos teríeis agonizado naquela noite. Pesa-me do íntimo da alma de vos haver afligido; concedei-me participação naquele ódio supremo que vós tivestes de minhas faltas. Pelos merecimentos da vossa agonia e do vosso suor de sangue, dai-me fortaleza para perseverar na oração em todas as provações e perigos da vida terrena, conformando sempre a minha frágil vontade ao vosso santíssimo querer. Ó amada Mãe Maria, amparai-me com a vossa maternal proteção. Amém.

