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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

A pena mais grave de Jesus Menino

SEXTA-FEIRA, 11 DE FEVEREIRO · APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA EM LOURDES

A pena mais grave de Jesus Menino

SL 29,10

«Que proveito há no meu sangue, se desço à corrupção? Porventura dirá o pó o teu louvor, ou publicará êle a tua verdade?»

SUMÁRIO

A ingratidão diante da Redenção atormenta Jesus desde o seio de Maria.

Ponto I

Jesus Cristo revelou à venerável Ágata da Cruz que, estando no seio de Maria, a maior de todas as suas penas era ver a dureza dos corações humanos, que depois da Redenção desprezariam as graças trazidas por ele para serem derramadas na terra. Muito antes ele expressara esse sentimento pela boca de Davi, nas palavras entendidas comumente assim pelos santos Padres: «Que utilidade há no meu sangue, quando eu desço à corrupção?» São Isidoro explica: quando desço à corrupção, isto é, quando desço a tomar a natureza humana, tão corrompida pelos vícios e pecados.

Meu Pai, parece dizer o Verbo divino, vou revestir-me da carne humana e depois derramar todo o sangue pelos homens. Mas que utilidade haverá nesse sangue? A maior parte dos homens não o estimará e continuará a ofender-me, como se nada tivesse feito por seu amor. Essa pena foi o cálice amargo do qual Jesus pediu ao Pai eterno ser libertado, dizendo: «passe de mim êste cálice». Que cálice? Ver tamanha desconsideração pelo seu amor.

Ponto II

Isso também o fez clamar na cruz: «Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?» O Senhor revelou a Santa Catarina de Sena que esse era o abandono do qual se queixava: ver que seu Pai permitiria o desprezo de sua Paixão e de seu amor por tantos homens pelos quais morria. Essa mesma pena atormentava Jesus Menino no seio de Maria. Desde então via tamanho dispêndio de dores, ignomínias, sangue e uma morte cruel e ignominiosa, para tão pouco fruto. O santo Menino já via o que diz o Apóstolo: muitos, e até a maior parte, haveriam de pisar seu sangue e desprezar a graça que esse sangue lhes obtinha, calcando o Filho de Deus e ultrajando o Espírito da graça.

Se, porém, pertencemos ao número desses ingratos, não desesperemos. Ao nascer, Jesus veio oferecer paz aos homens de boa vontade, como fez os anjos cantarem: «e paz na terra aos homens de boa vontade». Mudemos nossa vontade, arrependendo-nos dos pecados e propondo amar esse bom Deus. Encontraremos assim a paz, isto é, a amizade divina.

AFETOS E ORAÇÕES

Meu Jesus amabilíssimo, quanto também eu vos fiz padecer durante vossa vida! Derramastes por mim o sangue, com tanta dor e amor; e que fruto recolhestes de mim até agora? Desprezos, desgostos e ofensas. Meu Redentor, não quero mais afligir-vos. Espero que, daqui em diante, vossa Paixão produza fruto em mim mediante vossa graça, que vejo já me assistir. Padecestes tanto e morrestes por mim para receber meu amor. Quero amar-vos acima de qualquer outro bem; para vos agradar, aceito dar a vida mil vezes.

Pai eterno, eu não teria coragem de comparecer diante de vós para pedir perdão ou graças. Mas vosso Filho me diz que concedereis qualquer graça que vos pedir em seu nome: Se vós pedirdes a meu Pai alguma coisa em meu nome, êle vo-la-á de dar. Ofereço-vos, pois, os méritos de Jesus Cristo. Em seu nome, peço primeiro o perdão de todos os meus pecados; peço a santa perseverança até a morte; peço sobretudo o dom de vosso santo amor, para viver sempre conforme vossa vontade divina. Quanto à minha vontade, resolvi escolher mil mortes antes que vos ofender e amar-vos de todo o coração, fazendo tudo o que puder para vos agradar. Para tudo isso, porém, peço e espero de vós a graça de cumpri-lo. Maria, minha Mãe, se rogais por mim, estou em segurança. Rogai, rogai e nunca deixeis de rogar até me verdes mudado, conforme Deus me quer.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per li giorni dell’Avvento, Meditação XIV, completa, e Affetti e preghiere (_P2JW).. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.