Rezar

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Jesus na casa de Nazaré

QUINTA-FEIRA, 27 DE JANEIRO · SÃO JOÃO CRISÓSTOMO

Jesus na casa de Nazaré

LC 2,51

«E desceu com êles, e veio a Nazaré, e obedecia-lhes. E sua mãe conservava tôdas estas palavras no seu coração.»

SUMÁRIO

Os humildes trabalhos do Verbo encarnado ensinam a amar a vida escondida.

Ponto I

Ao voltar à Palestina, São José soube que Arquelau reinava na Judeia em lugar de Herodes, seu pai. Temendo estabelecer-se ali e advertido em sonho, foi morar em Nazaré, cidade da Galileia, onde fixou residência numa pobre casa. Ó afortunada casinha de Nazaré, saúdo-te e venero-te! Virá o tempo em que os maiores da terra te visitarão; os peregrinos que estiverem dentro de ti não se cansarão de chorar de ternura, pensando que entre tuas pobres paredes passou quase toda a vida o Rei do paraíso.

Nessa casa o Verbo encarnado viveu o restante da infância e da juventude. Como viveu? Pobre, desprezado pelos homens, exercendo o trabalho de simples ajudante e obedecendo a Maria e José: «e obedecia-lhes». Meu Deus, que ternura pensar que, naquela pobre casa, o Filho de Deus vive como servo! Ora vai buscar água, ora abre ou fecha a oficina; ora varre o aposento, ora junta os pedaços de madeira para o fogo; ora trabalha, ajudando José em seu ofício.

Ponto II

Que maravilha: um Deus varrendo, um Deus trabalhando como ajudante! Esse pensamento deveria abrasar-nos de santo amor por um Redentor que se abaixou tanto para conquistar nosso amor. Adoremos todos esses serviços de Jesus, todos divinos. Adoremos principalmente a vida oculta e esquecida que Jesus Cristo levou em Nazaré. Pessoas soberbas, como podeis desejar aparecer e receber honras, ao ver vosso Deus passar trinta anos pobre, escondido e desconhecido, para nos ensinar a retirar-nos do mundo e a viver em humildade e recolhimento?

AFETOS E ORAÇÕES

Meu adorado Menino, vejo-vos como um pobre ajudante, trabalhando e suando nesta humilde oficina. Compreendo: servis e trabalhais por mim. Assim como empregais toda a vida por meu amor, fazei, querido Senhor, que eu empregue por vosso amor todos os dias que me restam. Não olheis minha vida passada: foi, para mim e para vós, uma vida de dor e pranto, de desordem e pecado. Permiti que vos acompanhe, nos dias restantes, trabalhando e padecendo convosco na oficina de Nazaré; e depois morra convosco no Calvário, abraçando a morte que me destinastes.

Querido Jesus, meu amor, não permitais que torne a deixar-vos e abandonar-vos, como fiz antes. Vós, meu Deus, oculto, desconhecido e desprezado, sofreis numa oficina em tamanha pobreza; e eu, verme desprezível, fui procurar honras e prazeres. Por eles, meu Deus, separei-me de vós, Bem supremo! Não, meu Jesus: amo-vos e, porque vos amo, não quero jamais separar-me de vós. Renuncio a tudo para unir-me a vós, meu Redentor escondido e desprezado. Com vossa graça dais-me mais alegria que todas as vaidades e deleites terrenos pelos quais, por desgraça, vos deixei.

Pai eterno, pelos merecimentos de Jesus Cristo, prendei-me a vós com o dom de vosso santo amor. Virgem Santíssima, feliz sois vós, que, vivendo com vosso Filho na pobreza e no recolhimento, soubestes tornar-vos tão semelhante a Jesus! Minha Mãe, fazei que também eu, ao menos durante a pouca vida que terei, me torne semelhante a vós e ao meu Redentor.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Meditazioni per l’ottava dell’Epifania, Meditação VI, completa, e Affetti e preghiere (_P2IE).. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.