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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

O amor vence tudo

SEGUNDA-FEIRA, 17 DE JANEIRO · SANTO ANTÃO, ABADE

O amor vence tudo

CT 8,6

«Põe-me a mim como um selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço: Porque o amor é valente como a morte, o zelo do amor é inflexível, como o inferno, as suas lâmpadas são umas lâmpadas de fogo e de chamas.»

SUMÁRIO

O amor divino despoja a alma dos apegos terrenos e vence o amor-próprio. Quem entrega tudo a Deus se enriquece de suas graças.

Ponto I

«Porque o amor é forte como a morte». Assim como a morte nos separa dos bens terrenos, riquezas, dignidades, parentes, amigos e prazeres mundanos, o amor de Deus, reinando num coração, o despoja do afeto a esses bens passageiros. Por isso os santos abandonaram tudo o que o mundo oferecia: propriedades, grandes cargos e todos os haveres; fugiram para desertos ou claustros para pensar somente em amar a Deus.

A alma não pode permanecer sem amar: ama o Criador ou as criaturas. Encontrai uma alma desprendida de todo amor terreno e a vereis cheia do amor de Deus. Desejamos descobrir se somos inteiramente de Deus? Examinemos nosso desapego das coisas da terra. Algumas pessoas se queixam de não achar Deus em suas devoções, orações, comunhões e visitas ao Sacramento. Santa Teresa lhes diz: Desprende o coração das criaturas; depois busca Deus e o encontrarás. Não encontrarás sempre as doçuras espirituais, que o Senhor concede de vez em quando para estimular o desejo das delícias imensas preparadas no paraíso. Ele, porém, faz experimentar aquela paz interior que excede todos os deleites sensíveis: a paz de Deus que ultrapassa todo entendimento. Que maior deleite tem uma alma enamorada de Deus que dizer com verdadeiro afeto: Meu Deus e meu tudo? São Francisco de Assis passou uma noite inteira em êxtase de paraíso, repetindo essas palavras.

O amor é forte como a morte. Se alguém que morre ainda leva consigo algo terreno, mostra não estar morto: a morte priva de tudo. Quem deseja pertencer inteiramente a Deus deve deixar tudo; reservar algo revela amor imperfeito e fraco. O amor divino nos despoja de tudo. O Padre Segneri, o jovem, grande servo de Deus cuja vida Muratori escreveu, dizia: O amor de Deus é um querido ladrão que nos rouba todas as coisas terrenas. Outro servo divino, tendo distribuído aos pobres todos os bens, foi perguntado quem o reduzira àquela pobreza. Tirou o Evangelho do bolso e respondeu: Eis quem me despojou de tudo.

Jesus Cristo deseja possuir nosso coração por inteiro, sem concorrentes. Santo Agostinho escreve que o Senado romano recusou adorá-lo, dizendo que era um Deus soberbo que queria ser o único honrado. É nosso único Senhor e, portanto, tem toda razão de desejar ser o único adorado e amado com amor puro. São Francisco de Sales diz que o amor puro de Deus consome tudo o que não é Deus. Quando se apresenta em nosso coração algum afeto por coisa que não é Deus nem é para Deus, expulsemo-lo imediatamente: Ide embora; aqui não há lugar para vós.

Ponto II

Nisso consiste a renúncia total que o Salvador nos recomenda para sermos inteiramente seus: a renúncia a tudo, especialmente a parentes e amigos. Quantas pessoas deixam de chegar à santidade para agradar aos homens! Davi diz que quem procura agradar aos homens é desprezado por Deus.

Sobretudo devemos renunciar a nós, vencendo o amor-próprio. Maldito seja esse amor de nós próprios: pretende insinuar-se em cada coisa, mesmo nas obras mais santas, apresentando nossa glória ou nosso prazer! Quantos pregadores e escritores perdem assim todos os seus trabalhos! Muitas vezes, até na oração, leitura espiritual ou comunhão, entra uma intenção impura: aparecer ou sentir doçuras espirituais. Combatamos esse inimigo que nos faz perder as mais belas obras. Privemo-nos, quanto possível, do que mais agrada: daquele divertimento precisamente porque agrada; sirvamos a pessoa ingrata justamente por sua ingratidão; tomemos o remédio amargo justamente por sua amargura. O amor-próprio faz parecer ruim qualquer coisa em que não encontra satisfação.

Quem deseja pertencer inteiramente a Deus precisa fazer violência a si quando se trata do próprio gosto e dizer sempre: Perca-se tudo, contanto que Deus seja agradado. Ninguém vive mais contente neste mundo que quem despreza todos os bens mundanos. Quanto mais alguém se despoja deles, mais se enriquece de graças divinas. Assim o Senhor sabe recompensar seus fiéis amantes.

AFETOS E ORAÇÕES

Meu Jesus, conheceis minha fraqueza e prometestes socorrer quem em vós confia. Senhor, eu vos amo e em vós confio: dai-me força e tornai-me inteiramente vosso. Também em vós confio, Maria, minha doce advogada.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Riflessioni divote sopra diversi punti di spirito (1773), § 13, «L’amor divino vince tutto», integral, incluindo a oração final. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.