Jesus envolto em faixas
LC 2,7
«E deu à luz a seu filho primogénito, e o enfaixou e o reclinou em uma mangedoura: Porque não havia lugar para êles na estalagem.»
SUMÁRIO
As faixas de Jesus prefiguram as cordas da paixão: ele aceita ser preso para libertar nossas almas e uni-las ao seu amor.
Ponto I
Imaginai Maria que, tendo dado à luz seu Filho, o toma reverentemente nos braços, primeiro o adora como seu Deus e depois o envolve nas faixas: «E o envolveu em panos». Assim diz também a santa Igreja: A Virgem Mãe ata os membros envolvidos em panos. Eis Jesus Menino que, obediente, oferece suas mãozinhas e pés e permite que o envolvam.
Ponderai que, cada vez que se deixava enfaixar, o santo Menino pensava nas cordas com que um dia seria preso no horto, naquelas que depois o prenderiam à coluna e nos cravos que o fixariam à cruz. Pensando assim, deixava-se envolver de boa vontade, para soltar nossas almas das cadeias infernais. Preso entre as faixas, volta-se para nós e nos convida a unir-nos a ele pelos doces laços do amor. Depois diz ao Pai eterno: Meu Pai, os homens abusaram da liberdade e, rebelando-se contra vós, caíram na servidão do pecado. Para pagar sua desobediência, quero ser atado e preso por estas faixas; nessa prisão, vos apresento a minha liberdade, para que o homem seja libertado da escravidão do demônio. Aceito estas faixas e as estimo; tanto mais porque representam as cordas às quais desde agora me ofereço, para um dia ser preso e conduzido à morte pela salvação dos homens. Os vínculos de Jesus foram faixas salutares para curar as chagas de nossas almas.
Meu Jesus, quisestes ser apertado entre faixas por meu amor! Ó caridade, quão grande é o vosso vínculo, pelo qual Deus pôde ser preso!, diz São Lourenço Justiniano. Amor divino, somente vós pudestes fazer de meu Deus vosso prisioneiro. Senhor, recusarei deixar-me prender pelo vosso santo amor? Terei ainda coragem de soltar-me de vossas amáveis e doces cadeias, para tornar-me escravo do inferno? Estais preso nesta manjedoura por meu amor: quero permanecer sempre unido a vós.
Santa Maria Madalena de Pazzi dizia que a faixa que devemos tomar é a firme resolução de unir-nos a Deus pelo amor, soltando-nos, ao mesmo tempo, do afeto a tudo o que não é Deus. Para isso parece também que o nosso amoroso Jesus quis permanecer, por assim dizer, preso e prisioneiro no Santíssimo Sacramento do altar, sob as espécies sacramentais, para ver suas almas queridas igualmente prisioneiras do seu amor.
AFETOS E ORAÇÕES
Meu amado Menino, que temor posso ter dos vossos castigos ao ver-vos preso nas faixas, privado, por assim dizer, de levantar a mão para me punir? Com essas faixas mostrais que não quereis castigar-me, se eu desejo soltar-me dos vínculos de meus vícios e unir-me a vós. Meu Jesus, quero desprender-me deles. Com toda a alma me arrependo de haver-me separado de vós, usando mal a liberdade que me destes. Ofereceis-me liberdade mais bela, que rompe as cadeias do demônio e me coloca entre os filhos de Deus. Por amor de mim vos submetestes à prisão dessas faixas: desejo ser prisioneiro do vosso grande amor.
Felizes cadeias, belos sinais de salvação que unem as almas a Deus, prendei também meu pobre coração; prendei-o tão firmemente que nunca mais consiga soltar-se do amor deste Bem supremo. Meu Jesus, eu vos amo, uno-me a vós, dou-vos todo o coração e toda a vontade. Meu Senhor amado, quero nunca mais vos abandonar.
Meu Salvador, para pagar minhas dívidas, quisestes ser envolvido por Maria nas faixas e também preso pelos algozes como réu, percorrendo, atado, as ruas de Jerusalém, conduzido à morte como cordeiro inocente ao matadouro. Quisestes ser pregado à cruz e só a deixastes depois de entregar a vida. Não permitais que eu volte a apartar-me de vós e novamente perca a vossa graça e o vosso amor.
Maria, que um dia prendestes nas faixas este Filho inocente, prendei também a mim, pecador. Uni-me a Jesus para que não me afaste dos seus pés. Viva e morra sempre unido a ele, para um dia entrar na pátria feliz onde já não poderei soltar-me de seu santo amor, nem recearei fazê-lo.

