Amor excessivo de Jesus Cristo para com os homens
1 COR 1,23
«Mas nós pregamos a Cristo crucificado: Que é um escândalo de fato para os judeus, e uma estultícia para os gentios.»
SUMÁRIO
O excesso inefável de caridade manifestado por Jesus Cristo na sua sagrada Paixão e morte de cruz, mistério que o mundo julga loucura, mas que inflama os corações dos santos no mais ardente amor divino.
Ponto I
O adorável Salvador não quis tão somente resgatar as nossas almas do abismo eterno, mas anelou cativar inteiramente o afeto dos nossos corações. Por este motivo escolheu expirar pregado sobre o madeiro infame da cruz, suportando tormentos inauditos. Aos olhos dos pagãos e gentios, a morte vergonhosa de um Deus em favor de suas ingratas criaturas afigurava-se rematada insensatez: «Mas nós pregamos a Cristo crucificado: Que é um escândalo de fato para os judeus, e uma estultícia para os gentios.» (1 Cor 1,23). Contudo, é dogma inabalável da fé que o Filho unigênito do Pai entregou a própria vida por nossa redenção.
Contemplando este abismo de benignidade, exclamava São Lourenço Justiniano arrebatado de pasmo: «Vimos a própria Sabedoria encarnada parecer insensata pelo excesso desmedido de seu amor». O mesmo bradava Santa Maria Madalena de Pazzi segurando a imagem do Crucifixo: «Sim, meu Jesus, vós vos fizestes louco de amor pelos homens». Não se trata de desvario, assevera São Dionísio Areopagita, mas de efeito sublime do amor celestial, que arrebata o amante para além de si mesmo a fim de entregá-lo sem reserva ao objeto amado.
Ponto II
Se os homens parassem ao menos alguns instantes para fixar os olhos com piedade sobre o Redentor pendente do madeiro sangrento, quão abrasados não ficariam perante as chamas de caridade que brotam do seu Coração traspassado! Dizia São Francisco de Sales que nenhum coração pode deixar de abrasar-se ao contemplar a fogueira viva do peito de Jesus.
São Boaventura denominava as chagas abertas de Cristo chagas salutares que ferem os corações mais insensíveis e derretem a tibieza das vontades mais regeladas. Quantas setas inflamadas de caridade se desprendem daquelas feridas sacratíssimas para enternecer os pecadores obstinados! Quantos laços inquebrantáveis brotam do lado aberto do Salvador para unir a Si as almas generosas! O Venerável João de Ávila amava tanto a contemplação do Redentor crucificado que não podia pregar sem falar da sua bondade; e afirmava que a meditação da Paixão basta por si só para inflamar o mundo inteiro.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó dulcíssimo Jesus e Redentor meu, quem poderá contemplar-vos ferido e abandonado sobre a cruz e recusar o afeto do coração a uma Bondade tão infinita? Feri, Senhor, a minha alma endurecida com o dardo amoroso de vossa caridade. Prendei a minha vontade à vossa santa lei com os laços indissolúveis de vosso amor, e não consintais que eu volte a pagar com novas ingratidões a vossa misericórdia. Vós morrestes de dor por meu resgate; permiti que eu viva doravante unicamente para vos agradar e servir. Ó Virgem Maria, Mãe das dores e do belo amor, alcançai-me a graça de viver e expirar abrasado na caridade de vosso Filho bendito. Amém.

