Jesus no Santíssimo Sacramento espera-nos com extrema misericórdia
JO 4,6
«Ora, ali havia um poço, chamado a fonte de Jacó. Fatigado pois do caminho, estava Jesus assim sentado sôbre a borda do poço. Era isto quase à hora sexta.»
SUMÁRIO
Assim como sobre o poço de Jacó esperou pacientemente pela Samaritana, assim Jesus permanece nos tabernáculos como sobre fontes de graça, aguardando compassivo as almas para salvá-las.
Ponto I
Quão suave e consolador devia ser contemplar o nosso adorável Redentor naquele dia em que, fatigado da caminhada, descansava sentado junto ao poço de Jacó, esperando com ardente caridade a vinda da Samaritana para iluminá-la e atraí-la ao caminho da graça: «Ora, ali havia um poço, chamado a fonte de Jacó. Fatigado pois do caminho, estava Jesus assim sentado sôbre a borda do poço. Era isto quase à hora sexta.» (Jo 4,6).
De maneira análoga parece que ele mesmo permanece diariamente oculto sobre os nossos altares, como sobre mananciais inesgotáveis de misericórdia, aguardando e convidando as almas a lhe fazerem companhia no silêncio do tabernáculo, a fim de inflamar os corações no seu perfeitíssimo amor. De cada sacrário em que reside a divina Eucaristia parece ecoar a voz compassiva do Salvador a todos os homens: Filhos meus, por que fugis de minha presença? Por que não vos aproximais de mim, que tanto vos amo e por vosso bem aqui permaneço velado sob as espécies sacramentais?
Ponto II
Não devemos temer aproximar-nos de Jesus neste sacramento; ele não está presente sobre o altar como juiz para ditar sentenças rigorosas, mas ocultou-se sob o véu eucarístico unicamente para dispensar benefícios celestiais e acolher a todo aquele que a ele recorre com sincera devoção: «E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar: Eu não o julgo: Porque não vim a julgar o mundo, mas a salvar o mundo.» (Jo 12,47).
Conforme ensina a Sagrada Escritura, Jesus Cristo no céu vive eternamente intercedendo por nós; da mesma forma, sobre o altar cumpre noite e dia o compassivo ofício de Advogado dos pecadores, oferecendo-se como vítima imaculada ao Eterno Pai para alcançar-nos torrentes de graça. O autor da Imitação de Cristo ensinava que devemos falar com Jesus no Santíssimo Sacramento com terna intimidade, como costuma conversar o amigo com o amigo e o amado com o seu dileto. Abramos-lhe, pois, o nosso coração e consagremos toda a nossa existência a retribuir o seu imenso amor.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó divino Salvador oculto sob os véus sacramentais, bem conheço a amarga ingratidão com que o mundo responde à vossa caridade infinita. Vós permaneceis nos altares para doar vossos tesouros, e muitos vos tratam com indiferença e desprezo. Arrependo-me de haver sido outrora negligente na visita a este admirável tabernáculo de amor. Desejo compensar doravante os dias passados consagrando-me a adorar-vos e a comprazer o vosso suavíssimo Coração. Não procuro consolações terrestres; somente aspiro a possuir o vosso santo amor neste mundo e por toda a eternidade. «E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar: Eu não o julgo: Porque não vim a julgar o mundo, mas a salvar o mundo.» (Jo 12,47). Jesus meu, fazei-me todo vosso. Maria, Mãe de misericórdia, intercedei por mim.

