Festa de Santa Teresa de Jesus
CT 2,5
«Acudi-me com confortativos de flores, trazei-me pomos, que me alentem: Porque desfaleço de amor.»
SUMÁRIO
O seráfico ardor com que Santa Teresa amou a Deus acima de todas as criaturas, consagrando-se inteiramente a agradar ao soberano Bem e aspirando somente a padecer ou morrer por seu divino amor.
Ponto I
Consideremos o ardente amor que esta serafina inflamada consagrou continuamente a Deus. Figurava-se-lhe impossível que pudesse existir no mundo alguma criatura que não amasse ao Criador, e costumava exclamar: «Meu Senhor e meu Deus, não sois vós sumamente amável pelas vossas perfeições infinitas e pela imensa afeição com que nos prevenis? Como é concebível que haja quem vos recuse o afeto do coração?» Ela brilhava por profunda humildade, contudo, tratando da caridade, não receava confessar: «Reconheço que sou toda imperfeição, fora nas aspirações santas e na caridade». A doutora mística legou-nos esta admirável regra: «Desprende o teu coração de todas as coisas visíveis, e busca a Deus com solicitude, que certamente o acharás».
Afirmava, por outro lado, que a quem sinceramente serve ao Senhor, torna-se suave desapegar-se da terra: «Ó meu bom Deus, basta que vos amemos com retidão, para que torneis fácil tudo quanto parecia penoso». E noutra passagem escreveu com viva ternura: «Já que havemos de viver, vivamos unicamente para vós; cessem de uma vez os nossos particulares interesses. Que benefício maior poderíamos auferir do que contentar a vossa majestade? Ó delícia da minha alma e meu sumo Bem, que farei eu para vos ser inteiramente agradável?» Chegava mesmo a dizer que, ao ingressar no paraíso, não lhe causaria mágoa ver outros contemplando glória mais elevada que a sua, mas não poderia consentir pacientemente que outrem amasse a Deus mais ardentemente do que ela mesma o amava.
Ponto II
O aspecto mais admirável nesta insigne virgem reside na resolução inquebrantável com que procurava cumprir tudo o que reconhecia ser conforme ao beneplácito divino. Costumava asseverar que, por mais árdua que fosse a incumbência que se lhe apresentasse, abraçava-a com fortaleza varonil. Ensinava que a santa caridade se adquire resolvendo-se a pessoa a agir e a padecer generosamente por Deus, visto que o inimigo infernal não teme almas tíbias e hesitantes. Para comprazer mais perfeitamente ao seu Senhor, chegou ao ponto de obrigar-se com voto perpétuo a praticar sempre aquilo que julgasse mais perfeito.
E visto que na provação da dor melhor se evidencia o verdadeiro amor, ela anelava viver tão somente para sofrer por Cristo, declarando de coração: «Senhor, ou padecer ou morrer; outra graça não desejo para mim». Tamanho foi o seu fervor que o divino Esposo lhe dirigiu estas ternas palavras: «Ó Teresa, pertences-me por inteiro, assim como eu próprio me entrego totalmente a ti», enviando um anjo com dardo ígneo para transverberar-lhe o peito. Conforme viveu, assim expirou consumida pelo fogo da caridade. À aproximação do trânsito final, suspirava incessantemente pela união eterna, compondo o afetuoso cântico: «Vivo já sem viver em mim; e tão alta vida espero, que morro por não morrer». Ao receber o santo Viático, exclamou enternecida: «Ó meu Senhor, chegou enfim a hora por tanto tempo suspirada; é tempo já de nos vermos face a face». Faleceu de puro amor divino, entrando triunfante nas alegrias perpétuas.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó minha seráfica Santa e mestra da vida interior, que hoje gozais em beatitude eterna daquele Deus a quem tanto amastes nos dias mortais: compadecei-vos de nós que peregrinamos sobre a terra expostos a contínuos tropeços de cair em sua desgraça. Alcançai-nos mediante a vossa intercessão a graça de amar com generosidade ao sumo Bem nesta vida, para virmos a louvá-lo convosco para sempre no paraíso celeste. Amém.

