O filho do régulo e a utilidade das doenças
JO 4,53
«Conheceu logo o pai ser aquela mesma a hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho vive: E creu êle e tôda a sua casa.»
SUMÁRIO
As enfermidades corporais são instrumentos providentes de Deus para purificar a alma, desapegá-la das vaidades e consolidá-la na conformidade à vontade divina.
Ponto I
As enfermidades corporais constituem a verdadeira pedra de toque onde se descobre com evidência se o espírito de uma alma é ouro puro de virtude ou vil metal de afeição própria. Muitos cristãos manifestam serenidade, paciência e piedade enquanto desfrutam de vigorosa compleição corporal; sobrevindo-lhes, porém, alguma moléstia aguda ou persistente, perdem de súbito o sossego, queixam-se de todos os que lhes assistem e lamentam-se inconsolavelmente de seus sofrimentos. Não se proíbe que se manifestem com moderação as dores sentidas quando graves, a fim de buscar os remédios convenientes; mas constitui manifesta fraqueza reclamar a todo instante e exigir que todos se desdobrem em condolências ao nosso redor.
Ponto II
Outros exclamam entristecidos: «Não recuso padecer, mas aflige-me ver que na doença não posso comparecer à igreja, jejuar, rezar em comum e comungar com as pessoas de minha convivência». A esses respondeu sapientemente o mestre João de Ávila quando escreveu a um enfermo: «Não queirais calcular o bem que faríeis se estivésseis com saúde; contentai-vos em permanecer enfermo pelo tempo em que for do agrado do Criador». Se buscais unicamente o beneplácito de Deus, por que há de importar mais o vigor corporal do que a enfermidade resignada? Abrasai-vos com serenidade nas dores que a divina providência vos destina, pois para agradar ao Senhor basta conformar-se perfeitamente com o seu desígnio soberano.
AFETOS E ORAÇÕES
Meu Redentor amabilíssimo, reconheço que as cruzes e padecimentos corporais que me enviastes foram justas correções paternais para despertar a minha alma da tibieza mundana. Arrependo-me de haver tantas vezes murmurado nas aflições. Uno os meus padecimentos aos merecimentos infinitos de vossa santa Paixão e digo de coração contrito: Faça-se em mim a vossa santíssima vontade! Concedei-me paciência nas dores e dai-me a graça de expirar na vossa celestial amizade. Maria, consoladora dos aflitos, sede o meu refúgio e amparo.

