Jesus no Santíssimo Sacramento, modelo de virtude
DT 33,3
«Ele amou os povos; todos os santos estão na sua mão: E os que se chegam a seus pés, receberão da sua doutrina.»
SUMÁRIO
Os admiráveis exemplos de paciência, profunda humildade e obediência perpétua que Jesus Cristo nos oferece no Santíssimo Sacramento, ocultando a sua glória divina para ensinar-nos a verdadeira santidade.
Ponto I
Em nenhuma outra obra de misericórdia divina cumprem-se de modo tão estupendo aquelas palavras da profecia: «Tu verdadeiramente és um Deus escondido, o Deus de Israel, o Salvador.» (Is 45,15), como no adorável mistério da sagrada Eucaristia, onde o nosso Salvador permanece totalmente oculto aos sentidos mortais. Ao revestir a carne no mistério da Encarnação, o Verbo Eterno encobriu a sua divindade, manifestando-se todavia com as feições humanas; mas ao permanecer no tabernáculo, Jesus encobre até a própria humanidade visível, apresentando-se unicamente sob os véus do pão consagrado, como pondera São Bernardo, para manifestar a ternura sem limites do seu Coração.
Neste Sacramento de amor, o Filho de Deus rebaixa a sua majestade suprema, aniquila por assim dizer a sua grandeza visível e permanece sobre os altares unicamente para declarar a sua infinita caridade pelos homens. E que retorno recebe frequentemente das criaturas? A maior parte recusa prestar-lhe a adoração devida, e até mesmo entre os que professam a verdadeira fé multiplicam-se as friezas, as irreverências nos templos e o abandono de seus sacrários desprovidos de reverência e honra. Tudo isso o Salvador suporta em silêncio compassivo, dando-nos sublime lição de paciência perante os agravos alheios.
Ponto II
Acima de tudo, porém, o divino Mestre propõe-nos na sagrada Hóstia admiráveis exemplos de santa obediência. O Apóstolo São Paulo enaltece a sujeição do Salvador recordando que Ele «Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz.» (Fl 2,8). Na Eucaristia, contudo, o amor de Cristo avança ainda mais longe: aqui Ele quis sujeitar-se não somente ao decreto do Pai celeste, mas à própria voz do homem mortal, e isto não durante breves horas, mas até o fim dos tempos: «Factus obediens usque ad consummationem saeculi».
O soberano Senhor desce do céu ao pronunciar das palavras sacramentais proferidas pelo sacerdote e permanece sobre o altar sem mover-se por vontade própria: deixa-se encerrar no sacrário, colocar na custódia e ministrar aos fiéis que se aproximam da mesa sagrada. Durante a vida oculta em Nazaré submetia-se à Santíssima Virgem sua Mãe e ao glorioso patriarca São José; na Eucaristia sujeita-se a tantas criaturas quantos sacerdotes celebram o santo Sacrifício. Que sublime escola de mansidão e submissão para confundir o nosso apego desordenado à vontade própria!
AFETOS E ORAÇÕES
Ó adorável Coração de Jesus, manancial vivíssimo de todas as graças, que no Santíssimo Sacramento vos mostrais como exemplar perfeitíssimo de humildade e obediência: cobro profunda confusão ao ver-me na vossa presença tão inclinado ao orgulho, tão impaciente nas contrariedades e rebelde aos desígnios da vossa providência. Dignai-vos comunicar ao meu espírito aquela mansidão e submissão que ensinais no altar. Fazei que eu aprenda a sujeitar a minha vontade em todas as coisas à vossa santa lei e a amar o recolhimento e a renúncia própria por vosso amor. Ó Mãe amantíssima Maria, intercedei por mim para que eu viva sempre unido aos ensinamentos de vosso Filho sacramentado. Amém.

