Rezar

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

A cura do paralítico e a causa das tribulações

DOMINGO, 19 DE SETEMBRO · XVIII DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A cura do paralítico e a causa das tribulações

MT 9,2

«E eis-que lhe apresentaram um paralítico, que jazia em um leito. E vendo Jesus a fé dêles, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, perdoados te são teus pecados.»

SUMÁRIO

O pecado é a raiz principal de todas as tribulações humanas; Jesus concedeu primeiramente o perdão ao paralítico para ensinar-nos a buscar antes de tudo a purificação da alma.

Ponto I

No evangelho deste décimo oitavo domingo depois de Pentecostes relata-se que apresentaram a Jesus um paralítico estendido em seu leito. O divino Redentor, comovido pela fé que neles brilhava, disse ao doente estas confortadoras palavras: «E eis-que lhe apresentaram um paralítico, que jazia em um leito. E vendo Jesus a fé dêles, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, perdoados te são teus pecados.» (Mt 9,2). Observemos que o Senhor, antes de devolver o movimento e o vigor aos membros corporais do paralítico, restituiu a vida da graça à sua alma, concedendo-lhe o perdão de suas culpas.

Com esse proceder divino ensina-nos o Salvador que a origem mais profunda das angústias, enfermidades e desgraças temporais repousa frequentemente nas iniquidades cometidas pelos homens. Quando a alma se acha manchada pela culpa grave, atrai sobre si as justas correções da providência. Por conseguinte, se desejamos alcançar a paz interior e o alívio das cruzes desta vida, o primeiro e soberano caminho é recorrer ao sacramento da reconciliação com sincero arrependimento e propósito firme de emenda.

Ponto II

Deus permite muitas vezes as enfermidades corporais e os reveses da vida mortal não com desígnio de perdição, mas como remédio benéfico e salutar. As tribulações desapegam o coração dos encantos enganosos do século, refreiam a soberba e movem o pecador a buscar refúgio na misericórdia de seu Criador. Quantas almas estariam hoje eternamente perdidas se a mão amorosa do Pai celeste não as tivesse detido no caminho do vício por meio de uma longa enfermidade ou de uma severa aflição temporal!

Recebamos, pois, com paciência e santa resignação as dores que Deus permitir que padeçamos nesta peregrinação terrena, unindo os nossos sofrimentos à sagrada Paixão de Jesus Cristo. Peçamos-lhe que sare antes de tudo as enfermidades ocultas de nosso coração, para que possamos caminhar com pureza no caminho de seus santos mandamentos.

AFETOS E ORAÇÕES

Senhor Jesus Cristo, divino Médico de nossas almas, que com tão admirável caridade perdoastes os pecados daquele enfermo e lhe restituístes a saúde, tende piedade de minha extrema miséria espiritual. Confesso que minhas penas são o justo fruto de minhas fraquezas passadas; arrependo-me de haver ofendido a vossa soberana majestade. Lavai minha alma em vosso sangue precioso e curai todas as minhas tibiezas. Dai-me força para suportar com resignação as cruzes que me enviardes, e conduzi-me são e salvo à pátria celeste. Maria, auxílio dos cristãos e saúde dos enfermos, rogai por mim.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Sermoni compendiati (1771), Sermone XLVII («Dei mali pensieri»), reflexão sobre a cura do paralítico, pp. 560–565 do corpus. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.