O moço de Naim e a lembrança da morte
LC 7,12
«E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que já era viúva: E vinha com ela muita gente da cidade.»
SUMÁRIO
O cortejo fúnebre do jovem de Naim recorda-nos a certeza inflexível da morte e a incerteza da hora, exortando a alma a viver sempre vigilante e preparada.
Ponto I
Chegando Jesus próximo às portas da cidade de Naim, deparou-se com um espetáculo comovedor: levavam à sepultura um jovem falecido, filho único de sua mãe que era viúva, acompanhado por numeroso concurso de habitantes: «E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que já era viúva: E vinha com ela muita gente da cidade.» (Lc 7,12). Detenhamos aqui os nossos passos, caríssimos irmãos, e reflitamos seriamente na realidade incontornável de nossa própria morte. A Santa Igreja repete em cada ano a todos os seus filhos a memorável advertência divina: «Tu comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que te tornes na terra, de que fôste formado. Porque tu és pó, e em pó te hás de tornar.» (Gn 3,19).
É verdade indiscutível que todos havemos de morrer. Não o cremos tão somente pela revelação da fé católica, mas porque o presenciamos diariamente com nossos próprios olhos: cada dia o cenário do Evangelho se renova perante nós, conduzindo-se corpos inanimados ao jazigo da terra. Aquele jovem de Naim era jovem, vigoroso e esperança de sua mãe; certamente não imaginava morrer tão cedo, mas a morte surpreendeu-o subitamente. Assim também cada um de nós será chamado quando soar o instante prefixado pela divina providência.
Ponto II
Nada há de mais certo na existência humana do que a morte; nada há, todavia, de mais incerto do que o dia, a hora e a circunstância em que ela virá colher a nossa vida. Quantas pessoas adormeceram de noite com pensamentos de longos anos terrenos e acordaram perante o tribunal inapelável do Juiz eterno! Diante dessa incerteza adverte-nos o Senhor: Estai preparados, porque não sabeis o momento em que virá o Filho do homem.
Se conservássemos perante os olhos da alma esta solene certeza, com quão maior fervor não fugiríamos do perigo das ocasiões de pecado e com quanta dedicação não nos aplicaríamos à oração e à prática das virtudes cristãs! Cuidemos de manter as nossas contas em dia com Deus, vivendo cada instante como se fora o último de nossa peregrinação temporal, a fim de que a morte não seja para nós princípio de ruína, mas entrada segura na vida bem-aventurada.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó Jesus meu, Redentor compassivo, quantas vezes vivi deslembrado daquele instante decisivo em que comparecerei perante o vosso tribunal divino! Agradeço-vos por não me haverdes chamado quando me achava em inimizade convosco. Arrependo-me de todo o coração de haver ofendido a vossa infinita bondade. Fazei que a salutar memória da morte desvaneça em mim todo apego aos bens perecíveis da terra. «E quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que já era viúva: E vinha com ela muita gente da cidade.» (Lc 7,12). Concedei-me a graça de viver santamente e de expirar em vossa divina amizade. Maria, refúgio dos moribundos, alcançai-me a santa perseverança.

