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SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Meditação do dia

Necessidade da mansidão e da humildade na vida religiosa

SEGUNDA-FEIRA, 9 DE AGOSTO · VIGÍLIA DE SÃO LOURENÇO

Necessidade da mansidão e da humildade na vida religiosa

MT 11,29

«Tomai sôbre vós meu jugo; e aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração: E achareis descanso para as vossas almas.»

SUMÁRIO

A mansidão e a humildade são virtudes indispensáveis para a alma religiosa suportar em santa paz as contradições e repreensões da vida comum.

Ponto I

O divino e amabilíssimo Redentor Jesus quis com predileção intitular-se Cordeiro para manifestar aos homens quão compassivo, manso e humilde era o seu Coração adorável. Foram precisamente essas virtudes santas que de modo eminente ordenou aos seus discípulos aprendessem de seu exemplo: «Tomai sôbre vós meu jugo; e aprendei de mim que sou manso, e humilde de coração: E achareis descanso para as vossas almas.» (Mt 11,29). E são essas mesmas disposições interiores que de modo singular exige das almas consagradas que fazem profissão de imitar os seus passos benditos. Quem habita na solidão dos desertos talvez não sinta necessidade tão contínua destas virtudes; mas quem convive fraternalmente sob o mesmo teto, é moralmente inevitável que receba em algum momento repreensões dos que governam ou contrariedades dos companheiros. Por conseguinte, quem não abraçar com sincero empenho a mansidão incorrerá em contínuas falhas e passará os dias em perene inquietação de ânimo. Importa ser todo afabilidade com todos — com os estranhos, com os iguais e com os inferiores —, sabendo que para quem obedece vale muito mais um só ato de serenidade em suportar uma repreensão ou desprezo do que praticar rigorosas penitências exteriores.

Ponto II

Admoestava o bem-aventurado São Francisco que muitos colocam falsamente toda a sua perfeição nas mortificações e austeridades exteriores da carne, e depois não toleram uma só palavra áspera que lhes desagrade, ignorando o ganho imenso que a alma aufere na santa paciência diante das ofensas recebidas. Observa São Bernardo que muitos aparentam serenidade enquanto tudo decorre conforme a sua inclinação particular, mas logo mostram a fraqueza de sua mansidão ao surgir a menor contrariedade. Conforme assegura São João Crisóstomo, a maior prova de virtude sólida consiste em conservar a calma e a benevolência nas adversidades. Para tolerar em paz os ultrajes é mister possuir um profundo alicerce de humildade sincera: a alma adornada de genuína humildade não apenas não se conturba ao ver-se desprezada, mas até se compraz espiritualmente por se ver tratada como reconhece merecer por suas faltas, assemelhando-se a Jesus Cristo, que sendo soberano Senhor quis por nosso amor ver-se saciado de opróbrios e vilipêndios.

AFETOS E ORAÇÕES

Ó meu humildíssimo Jesus, que por meu amor vos aniquilastes até à obediência da morte de cruz, como ouso comparecer na vossa divina presença gloriando-me de vosso nome, quando me contemplo tão miserável e soberbo, ressentindo-me à menor palavra de desprezo? Donde nasce em meu coração tamanho orgulho, quando por minhas iniquidades mereci ser eternamente precipitado nos abismos infernais? Ah, meu Salvador ultrajado, vinde em meu auxílio e tornai-me semelhante a vós! Pelo vosso amor quero aceitar com paciência qualquer injúria. Vós tornastes amáveis e honrosos os vitupérios suportando-os com tanta caridade. Virgem puríssima e Mãe de Deus, Maria, que fostes em tudo e especialmente no padecer perfeitíssimo reflexo de vosso divino Filho, alcançai-me a graça de receber em santa paz todas as contrariedades que me sobrevierem. Amém.

Tradução do projeto, feita do original italiano de Santo Afonso Maria de Ligório: Considerazioni per coloro che son chiamati allo stato religioso (1775?), Consid. XIV («Quanto son necessarie ad un religioso le virtù della mansuetudine e dell'umiltà»), pp. 431–433. Ver o texto italiano.

Disposição dos dias segundo o P. Giacomo Maria Cristini, C.Ss.R. Tradução em revisão.