Maria Santíssima suaviza a morte dos seus devotos
PR 17,17
«Em todo o tempo ama aquele que é amigo, e o verdadeiro irmão reconhece-se nas adversidades.»
SUMÁRIO
Santo Afonso expõe a inefável ternura com que Maria Santíssima assiste os seus servos no transe supremo da morte, dissipando as angústias da agonia, rechaçando os assaltos do demônio e acolhendo maternalmente as almas para conduzi-las à bem-aventurança eterna.
Ponto IA fidelidade de Maria no transe da morte
Os verdadeiros amigos e afeições autênticas não se comprovam nos dias de bonança e prosperidade, mas no tempo da aflição e da penúria. As amizades mundanas acompanham o homem enquanto goza de bens e honras; sobrevindo, todavia, o infortúnio, e mormente a hora derradeira da separação corporal, prontamente o desamparam. Muito diverso é o proceder de Maria Santíssima para com os seus devotos. Nas angústias supremas do falecimento — as mais terríveis que a criatura humana pode experimentar neste vale de lágrimas —, esta incomparável Mãe não sabe abandonar os seus fiéis servidores; e assim como foi para eles doçura na vida, assim se torna fonte de inefável alívio na morte.
Com efeito, desde aquele momento sagrado em que a divina Senhora teve a dita de consolar com a sua presença o passamento do glorioso São José e, acima de tudo, depois de haver permanecido intrépida ao pé da cruz acompanhando a agonia do Redentor, obteve o especial privilégio de assistir maternalmente os seus protegidos na hora extrema. Quando o cristão se vê desfalecido, combatido por dores atrozes e isolado de todos os socorros terrenos, a presença espiritual de Maria infunde uma paz celeste que dissipa o pavor do sepulcro e transforma a agonia em doce trânsito para a pátria incorruptível.
Ponto IIVitória sobre o inimigo infernal e acolhimento materno
É sobretudo no termo da peregrinação terrena que os espíritos das trevas congregam as suas derradeiras e mais violentas investidas para arrastar a alma à perdição, recordando-lhe as culpas do passado e tentando precipitá-la no desespero. Mas onde abunda o perigo, ali superabunda a proteção da Rainha do céu. Ao menor suspiro ou invocação do seu santo nome, Maria põe em fuga as potências infernais, cobre a criatura com o seu manto impenetrável e recorda à divina Justiça os merecimentos infinitos do Sangue de Jesus.
Quão consoladora a esperança de exalar o último suspiro nos braços de tão bondosa Protetora! Ela que tantas vezes foi chamada por nós nas provações de cada dia, não faltará ao apelo decisivo quando dissermos: Rogai por nós, agora e na hora de nossa morte. Consagremos, pois, a nossa existência a servi-la fielmente, e estejamos certos de que a nossa partida deste mundo será coroada por sua materna bênção.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó minha dulcíssima Mãe Maria! Qual haverá de ser a sorte deste pobre pecador na hora decisiva da morte? Já desde agora, ao considerar aquele momento tremendo em que deverei comparecer perante o tribunal divino, tremo de receio lembrando-me de quantas vezes ofendi a suma bondade. Toda a minha esperança, contudo, repousa nos merecimentos de Jesus Cristo e na vossa poderosa intercessão. Sois a Rainha do universo e a Mãe de Deus; mas a vossa excelsa majestade não vos afasta das nossas misérias, antes vos inclina a socorrer-nos com infinita piedade. Vós que consolais os aflitos e dispersais os inimigos da salvação, acolhei esta alma que a vós se recomenda com viva confiança. Defendei-me no transe supremo contra as tentações do desespero; confortai o meu espírito nas angústias da agonia e não vos afasteis de mim enquanto não me virdes a salvo nos tabernáculos da glória, para cantar convosco as misericórdias do Senhor por todos os séculos. Amém.

