O compêndio da lei é o preceito da caridade
MT 22,40
«Dêstes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.»
SUMÁRIO
O amor a Deus é a única coisa necessária e o resumo de toda a lei; dele procede necessariamente a caridade autêntica para com o próximo.
Ponto I
Estamos colocados nesta vida mortal não para acumular riquezas passageiras, nem para buscar títulos efêmeros ou vãs honrarias humanas, mas unicamente para consagrar o nosso coração ao amor de Deus. A posse da divina graça é aquela única coisa verdadeiramente necessária mencionada no Evangelho: tudo o que não se faz por amor de Deus perde-se para a eternidade. Quando o fariseu interrogou a Jesus sobre qual era o preceito fundamental da lei, o Salvador respondeu: «Jesus lhe disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de tôda a tua alma, e de todo o teu entendimento, Êste é o máximo, e o primeiro mandamento.» (Mt 22,37-38). Observa Santo Agostinho que com tão encarecidas palavras nenhuma faculdade de nosso ser ficou subtraída à exigência do amor celestial.
Cabe-nos, assim, consagrar ao Criador uma afeição de predileção soberana, dispostos a perder a própria vida antes que a amizade divina; um afeto generoso e dedicado, ansiando por vê-lo honrado por todos os homens; uma dor contrita, detestando as culpas do passado por terem desgostado a Bondade infinita; e uma caridade paciente, abraçando com alegria as cruzes e humilhações por amor de Cristo.
Ponto II
Quem ama com sinceridade a Deus, ama forçosamente também ao seu próximo. Conforme ensina São Gregório Papa, esses dois amores acham-se de tal forma unidos que o amor fraterno nasce da caridade divina, e o amor de Deus revigora-se e comprova-se na dedicação sincera aos irmãos. São dois elos inseparáveis da mesma virtude, dois frutos da mesma raiz sobrenatural.
Eis a razão pela qual, no texto sagrado deste décimo sétimo domingo depois de Pentecostes, o divino Mestre acrescenta imediatamente: «E o segundo semelhante a êste é: Amarás a teu próximo, como a ti mesmo. Dêstes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.» (Mt 22,39-40). Toda a lei e as admoestações dos profetas encerram-se no duplo exercício da caridade. Para conhecer o grau de virtude e de união com Deus em que uma alma se encontra, basta verificar com quanta mansidão e generosidade ela trata o seu semelhante.
AFETOS E ORAÇÕES
Ó meu Deus, consagro a vossa majestade todo o meu afeto acima de qualquer criatura, porque sois infinitamente amável e perfeito. Por vosso amor desejo amar sinceramente a meu próximo como a mim mesmo. Pesa-me de vos ter ofendido, ó Bondade infinita, e prefiro sofrer tudo antes que transgredir os vossos santos mandamentos. Concedei-me a graça de viver desprendido das vaidades mundanas e de conservar sempre aceso em minha alma o fogo da divina caridade. Ó Maria Santíssima, refúgio e amparo das almas, sede o meu socorro perpétuo.

