O decreto da Encarnação do Verbo
IS 6,8
«E ouvi a voz do Senhor que dizia: Quem enviarei eu? E quem nos irá lá? Então disse eu: Aqui me tens a mim, envia-me.»
Ponto I
Contempla São Bernardo que, após a desobediência de Adão, travaram contenda a justiça e a misericórdia divinas. Dizia a justiça: Estou perdida se Adão não morrer em castigo de sua culpa. Replicava a misericórdia: Estou perdida se a humanidade não alcançar perdão. Perante essa controvérsia, ordenou o Senhor que, para livrar o culpado merecedor de condenação, haveria de falecer um inocente que nada devesse à morte. Todavia, sobre a face da terra não existia ninguém isento de mácula. Exclamou então o Eterno Pai: Já que dentre as criaturas terrestres não há quem possa aplacar a minha justiça, quem irá redimir os pecadores? Os anjos, os querubins e os serafins guardam silêncio; ninguém responde. Somente o Verbo Eterno se adianta e brada: Eis-me aqui, enviai-me a mim (Is 6,8).

